Monday, October 30, 2006

Senti uma vontade enorme de fazer algo bonito e harmonioso. Como se uma súbita inspiração me brotasse da alma. O desejo da criação...
Peguei numa tela branca e fui deixando o pincel, ensopado em tinta vermelha, deslizar instintivamente.
Um traço, depois uma mancha a que se juntou outra, e outra ainda, de diferentes cores estridentes e formas rudes.
A mão pareceu-me mecanizada, autónoma, rabiscando freneticamente a tela que já fora totalmente branca. E a cada traço sentia-me mais eu no emaranhado de cores e formas, como se aquele conjunto pictórico fosse uma extensão de mim próprio.
No fim sentei-me frente a frente à tosca expressão de um momento impulsivo.
A calma tomou conta de mim... Uma paz pesada e densa.
Fui ficando tonto, devagar, como o voo de uma borboleta. Ainda não sei se da turbulenta expressão do sentir ou do cheiro dos óleos e da terbentina...

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