A chuva cai. Ouço o som distinto das gotas de água a baterem nas vidraças.
Depois escorrem lentamente como lágrimas até se precipitarem do beiral da janela.
Os meus olhos lançam-se para as negras letras que adornam as folhas brancas que seguro entre mãos.
Acaso ou não, o poema do Pessoa descreve com mais veemência o que sinto e o que, no exacto momento, sou, do que eu o poderia sentir...
"Cai chuva do céu cinzento
Que não tem razão de ser.
Até o meu pensamento
Tem chuva nele a escorrer.
Tenho uma grande tristeza
Acrescentada à que sinto.
Quero dizer-ma mas pesa
O quanto comigo minto.
Porque verdadeiramente
Não sei se estou triste ou não,
E a chuva cai levemente
(Porque Verlaine consente)
Dentro do meu coração."
Depois escorrem lentamente como lágrimas até se precipitarem do beiral da janela.
Os meus olhos lançam-se para as negras letras que adornam as folhas brancas que seguro entre mãos.
Acaso ou não, o poema do Pessoa descreve com mais veemência o que sinto e o que, no exacto momento, sou, do que eu o poderia sentir...
"Cai chuva do céu cinzento
Que não tem razão de ser.
Até o meu pensamento
Tem chuva nele a escorrer.
Tenho uma grande tristeza
Acrescentada à que sinto.
Quero dizer-ma mas pesa
O quanto comigo minto.
Porque verdadeiramente
Não sei se estou triste ou não,
E a chuva cai levemente
(Porque Verlaine consente)
Dentro do meu coração."

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