Monday, October 30, 2006

A razão nem sempre me acompanha.
Por vezes a ira toma conta de mim e tira-me o discernimento.
A razão nem sempre é boa conselheira.
Por vezes desejo deixar-me levar pelo inconsciente sentido.
Depois pergunto-me de onde me vem este sentimento, tão desajeitado mas febril, agudo e descontinuado que me consome e aleija.
Fico quieto esperando a pontada cruel que parece antecipar-se a cada vez... O corpo, ainda que vigoroso, parece desfalecer por comungar a dor d¿alma... O peito parece mirrar e os punhos cerram-se como se tentassem encerrar a dor.
Então a pequena gota de água e cloreto de sódio precipita-se lentamente, deixando um rasto de frescura no caminho por onde passa.
Depois inunda-me a calma... não sei se por ter conseguido condensar toda aquela dor numa pequena gota de água e cloreto de sódio... se por apesar de não lhe conhecer a raíz lhe sentir o fruto, fresco, que desliza lentamente pelo rosto.
E tudo pode parecer efémero e fútil, inútil e inócuo...
E tudo pode aparecer quando olhamos bem para dentro, bem fundo, como quem tenta ver para além do horizonte...

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